O garoto sírio na ambulância quebra meu coração. Mas o que posso fazer?!

15.09.2016 - Silvia Swinden

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O garoto sírio na ambulância quebra meu coração. Mas o que posso fazer?!

A crise de refugiados sírios incluindo os deslocados internamente, em paízes vizinhos e os poucos que conseguiram chegar em outras praias é a maior tragédia civil desde a Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, existe uma paralisia nas pessoas comuns que gostariam de ajudar mas se sentem incapazes, principalmente porque as notícias são todas sobre a guerra ou sobre os terroristas que emergem como consequência, mas não sobre o bom trabalho que é feito pelos que estão comprometidos a ajudar, mesmo sabendo que essa ajuda é parcial e que não vai até raiz do problema: os políticos teimosos que alimentam o conflito.

A única solução é paz por meio de negociação e, para aqueles de nós em posição de influenciar a opinião pública, a única mensagem válida é trabalhar pela reconciliação, trazer todas as partes para a mesa de negociação, escutar os agravos e exigir compromisso.

Agências entregando auxílio humanitário para Aleppo,isto é, Unicef (você pode doar online ou por telefone) dizem:

“Cinco anos no conflito na República Árabe Síria, a situação só está se tornando mais severa e não existe nenhum sinal de que o conflito esteja diminuindo. Em novembro de 2015, 10.8 milhões de sírios estão deslocados internamente ou se tornaram refugiados, incluindo os mais de 4.3 milhões de refugiados sírios agora vivendo no Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia. As crianças fazem mais de 51% da população refugiada. A Turquia agora está acolhendo 2.1 milhões de refugiados sírios, o Líbano está acolhendo quase 1.1 milhão e a Jordânia está acolhendo 630.000. O conflito no Iraque agravou ainda mais a crise de refugiados na Síria, com 3.2 milhões de iraquianos deslocados dentro do Iraque desde janeiro de 2014. Muitos dos 245.000 refugiados sírios no Iraque estão localizados na mesma região geográfica que os iraquianos internamente deslocados, representado um grande fardo nas comunidades e serviços acolhedores. O número de refugiados sírios ao longo da sub-região está previsto para alcançar os 4.69 milhões no fim de 2016. A escala e a natureza prolongada da crise síria está desafiando a habilidade dos governos acolhedores e a comunidade internacional para satisfazer a necessidade contínua por assistência humanitária essencial de salvação de vidas.”

A Unicef também está criando projetos para crianças para as que já estão na Europa para educação e proteção, e também está denunciando a exploração e abuso de crianças em campos de refugiados. (Alternet)

Uma lista de agências prestando serviço de auxílio com os refugiados pode ser encontrada aqui.

Envolver-se com o esforço de auxílio nesse caso não é uma simples caridade, mas também manda uma forte mensagem para os que estão no poder: que pessoas de todo o mundo se importam com o conflito. Há também uma mensagem política nisso. Uma forte mensagem para os deslocados e os refugiados: nós nos importamos com vocês. Essas populações profundamente traumatizadas, as crianças particularmente, precisam sentir a solidariedade humana do mundo para poderem crescer nas melhores condições psicológicas. O preço de não fazê-lo, como todos sabemos, é muito alto.(.)

 

Parar a guerra

Um editorial de Ian Sinclair entrevistando Andy Baker de Oxfam para openDemocracy pergunta: “A política externa do Grã-Bretanha está ajudando a abastecer o conflito na Síria?”

“A crise na Síria já está no sexto ano. Os civis são cada vez mais as vítimas dos bombardeios, ataques, e deslocamentos por todas as partes em conflito que são primaria e diretamente responsáveis pela situação humanitária em deterioração no país. Países poderosos como a Rússia, os EUA, a França e a Grã-Bretanha também estão abastecendo o conflito em graus variados seja através de pressão diplomática inadequada, apoio político e militar aos seus aliados, ou ação militar direta. O conflito recente na região de Alepp é o último exemplo de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças pegos no fogo-cruzado, ameaçados pela morte por terra ou ar, e sofrendo escassez severa de comida e remédios que podem levar a ainda mais mortes. Em geral, na Síria, as necessidades humanitárias estão aumentando a cada dia. Enquanto isso, o acesso a civis, especialmente em áreas sitiadas, não melhorou além de entregas isoladas aqui e ali, ligadas a negociações políticas em andamento.”… “A Grã-Bretanha e outros membros do Conselho de Segurança da ONU tem uma responsabilidade em garantir que civis sejam protegidos, e que paz e segurança sejam mantidas. Resoluções do Conselho de Segurança tem sido consistentemente desrespeitadas e ignoradas por seus aliados em terra. A Grã-Bretanha também faz parte da coalizão liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico que tem operações militares em andamento na Síria. Isso contribuiu em pouco, quase nada, para lidar com o sofrimento civil ou com as causas principais do conflito”.

Impedir vendas de armas para todas as facções por meio de um embargamento de armas compreensivo

Escreva para seu representante político, vote em pessoas que claramente promovam a paz e que não tenham nenhum interesse financeiro no comércio de armas, crie ou dê apoio a um grupo de pressão que defenda um fim para as vendas de armas para as facções em conflito.

Apoiar organizações de paz e não-violência  dentro e fora da Síria

Seja por meio de redes sociais, entrando diretamente em uma reunião, ou começando um projeto para estabelecer uma cultura de paz e não-violência (ou ajudando a Pressenza a fazer isso!), todos os esforços para modificar a cultura da violência do sistema presente que justifica e promove a guerra são valiosos, não importa o quão remoto ou aparentemente desconexo.

Apoiar a reconciliação entre grupos “inimigos’ da Síria em seu próprio país

“… Se estamos procurando por uma reconciliação sincera com nós mesmos e com aqueles que nos feriram intensamente é porque nós queremos uma transformação profunda em nossas vidas. Uma transformação que nos tira do ressentimento onde, claramente, não nos reconciliamos com ninguém e nem mesmo com nós mesmos. Quando formos capazes de entender que o inimigo não é um ser que mora em nosso interior, e sim, um ser cheio de esperanças e falhas, um ser em quem podemos ver numa curta sucessão de imagens, momentos plenos de beleza e também momentos de frustração e ressentimento. Quando formos capazes de entender que nosso inimigo é um ser que também viveu com esperanças e falhas, um ser teve momentos plenos de beleza e também momentos de frustração e ressentimento, só então estaremos dando um olhar humanizante sobre a pele da monstruosidade.” Silo, 2007

Tradução do inglês por Lucas Murai

 

 

Categorias: Direitos Humanos, Internacional, Opinião, Oriente Médio, Paz e Desarmamento
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